Em agosto de 2026, os senadores republicanos Ron Johnson (Wisconsin) e Rand Paul (Kentucky) divulgaram mensagens de texto retiradas do celular funcional de Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) dos EUA. O aparelho, obtido junto ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), contém mais de 34 mil mensagens e 522 mensagens de voz.

A troca de mensagens revelada é de 25-26 de janeiro de 2021, entre Fauci, a então diretora do CDC Rochelle Walensky e o então indicado para Cirurgião-Geral Vivek Murthy. Nela, Fauci afirma que febre e outras reações imunológicas após a segunda dose da vacina de mRNA “teoricamente poderiam estar associadas a aborto espontâneo no primeiro trimestre” de gestação — preocupação corroborada por Walensky e Murthy.

O ponto central da polêmica: pouco mais de uma semana depois, em 3 de fevereiro de 2021, Fauci declarou publicamente que mais de 10 mil gestantes já haviam sido vacinadas e que não havia “nenhum sinal de alerta” — aparentemente contradizendo a preocupação privada manifestada dias antes.

Contextualização

Quem são os protagonistas: Johnson e Paul são críticos de longa data de Fauci desde a pandemia, tendo inclusive divulgado anteriormente diários pessoais dele.

O que motiva a divulgação: faz parte de uma investigação do Senado sobre a liderança e as decisões de Fauci durante a pandemia — uma pauta politicamente carregada nos EUA, associada a setores conservadores/republicanos.

Contraponto científico: veículos como CNN e CBS ressaltam que, desde então, múltiplos estudos não encontraram aumento de risco de aborto espontâneo ou outras complicações associadas à vacinação contra Covid-19 em gestantes. Ou seja, a preocupação teórica inicial de Fauci não se confirmou nos dados posteriores.

Defesa de Fauci: ele nega irregularidades e alega ser alvo de perseguição política.

Repercussão no Brasil: veículos como Gazeta do Povo e Brasil Paralelo — de linha mais crítica às políticas de vacinação da pandemia — deram destaque ao episódio, enquadrando-o como evidência de “contradição” entre o discurso público e privado do médico.

Em síntese: trata-se de um episódio que reabre o debate político sobre transparência e comunicação de risco durante a pandemia, mas que precisa ser lido com cautela — a mensagem mostra uma dúvida científica legítima e teórica do momento (janeiro de 2021, quando ainda havia poucos dados sobre gestantes), não uma prova de que a vacina seja de fato prejudicial, já que estudos posteriores não confirmaram esse risco.